Abscessos e fístulas perianais: O que são

 

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Dr. Antonio Carlos Trotta
CRM: 6898-Pr

 

Os processos infecciosos que ocorrem ao redor do ânus e do canal anal são descritos desde os tempos de Hipócrates, o Pai da Medicina, 400 anos a.C., na Grécia Antiga. Essas infecções são bastante frequentes e atingem mais comumente homens entre 30 e 40 anos.  Os principais sintomas, são: dor, inchaço, endurecimento, vermelhidão, desconforto para evacuar e, raramente, febre.

Quando essas coleções de pus estão circunscritas sob a pele ou mais profundamente localizadas entre os músculos da região, são chamadas de abscessos perianais (fase aguda) e ao serem abertas espontaneamente ou por cirurgia para a drenagem do pus, formam-se as fístulas perianais (fase crônica), que nada mais são do que o trajeto que comunica o orifício interno (dentro do canal anal) ao orifício externo (na pele próxima ao ânus).

A evolução de abscesso para fístula ocorre em metade dos casos. Essa infecção se deve em 80-90% das vezes ao entupimento do orifício de saída de uma das 8 a 14 pequenas bolsas que existem dentro do canal anal, chamadas glândulas anais que liberam o muco no momento da evacuação com o objetivo de lubrificar e facilitar a saída das fezes.

Outras causas menos comuns dos abscessos e fístulas, são: câncer de reto e canal anal, linfoma, leucemia, tuberculose, actinomicose, doença de Crohn, doenças sexualmente transmissíveis, HIV, diabetes, imunossupressão, corticoides, radio e quimioterapia, trauma local, corpos estranhos e cirurgias proctológicas e ginecológicas.

O diagnóstico é clínico conversando-se com o paciente, ouvindo suas queixas e realizando um exame físico geral e local cuidadoso e, se necessário, com analgesia e/ou anestesia. Se após o tratamento inicial que consiste na drenagem cirúrgica do pus, o quadro persistir e evoluir para uma fístula, o paciente deverá ter acompanhamento médico com especialista. Na recidivas, alguns exames poderão ser realizados, como os de laboratório, endoscópicos e imagem (ultrassom, tomografia e ressonância magnética) que podem auxiliar na elaboração do planejamento cirúrgico.

Em virtude da complexidade e múltiplas formas de apresentação clínica desta doença, por vezes, serão necessários vários tratamentos cirúrgicos, colocação de pequenos drenos e reparos, os chamados “setons” ou “sedenhos” sempre com a intenção de controlar os processos infecciosos, respeitando a musculatura esfincteriana, com o objetivo de evitar a incontinência anal (perda involuntária de gases e fezes), uma das complicações mais temidas deste tratamento.

Como mensagem final, lembre-se: ao sentir dor ou tumefação (aumento de volume) na região ao redor do ânus, nem sempre o tratamento com banhos de assento, anti-inflamatórios, analgésicos e antibióticos pode ser suficiente.

O abscesso anal é uma urgência médica cujo tratamento não deve ser postergado, respeitando-se a máxima na medicina: abscesso diagnosticado é abscesso drenado.

 

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