É possível ter uma vida normal com uma colostomia/ileostomia?

As colostomias e ileostomias são utilizadas como medidas salvadoras, oferecendo sempre grande benefício para os pacientes, pois o objetivo principal de sua indicação é a preservação da vida. A realização de uma colostomia ou ileostomia consiste na exteriorização do intestino através da parede abdominal, podendo ser posicionada no lado direito ou esquerdo, de acordo com cada caso.

Ao longo da vida, os seres humanos estão propensos a adquirir doenças benignas, malignas, além dos acidentes e traumas que podem resultar em tratamentos cirúrgicos e a necessidade da perda de órgãos e consequentemente das suas funções. A indicação da realização de colostomias e ileostomias ocorre pela impossibilidade de preservar o trânsito intestinal em sua via normal até o reto e canal anal ou pela perda definitiva da porção final do trato digestivo (reto e canal anal).

O reto e o canal anal constituem a porção final do tubo digestivo, com a função de reter o conteúdo fecal, mantendo a continência até o momento da defecação, evitando, portanto, a perda involuntária de flatos e/ou fezes. O conteúdo fecal é o produto final do mecanismo da digestão, que não foi absorvido pelo sistema digestório, permanecendo no reto para ser eliminado ao despertar o desejo da evacuação. Portanto, o indivíduo que possui esses órgãos devidamente preservados exerce essa função normalmente e que se constitui numa função vital. Vale ressaltar que o ato da evacuação, exteriorização das fezes, deve ser entendido como uma atitude fisiológica e de ampla aceitação.

Todos os órgãos existentes no corpo humano apresentam funções bem definidas. Quando um ser humano se depara com situações adversas, como a perda de qualquer órgão do corpo e da sua função, não deve ser motivo para estigmatizá-lo, criticá-lo ou excluí-lo do meio social e nem das suas atividades diárias. Muito pelo contrário, temos o dever de ajudá-lo a reinseri-lo nas suas atividades diárias, no seu ambiente familiar, social e de trabalho.

Quando um paciente necessita realizar uma colostomia ou ileostomia, deve ser devidamente orientado e adaptado a conviver com essa nova situação: aprender a usar uma bolsa de colostomia, esvaziá-la quando necessário, fazer o devido asseio mantendo medidas para proteção da pele. O mais importante é manter o paciente vivo, oferecendo-lhe apoio e amor para que ele possa manter sua vida normalmente, no seu ambiente familiar e profissional e, se ainda jovem, que continue em busca da construção dos seus sonhos de vida.

Vale mencionar que existem milhares de pessoas com ostomias (colostomias e ileostomias) no mundo inteiro, vivendo e lutando em busca de seus objetivos de vida. A perda de um órgão, como o reto, canal anal ou qualquer outra parte do corpo, jamais deverá se transformar em motivo para estigmatizar um ser humano, fazendo postagens desagradáveis e destrutivas.

Independentemente das colostomias e ileostomias serem definitivas ou temporárias (utilizadas por um período de tempo limitado), são realizadas para preservar a vida e, quando temporária, o momento da reconstrução do trânsito intestinal será no momento adequado para que esse paciente não tenha mais riscos de vida. Nesse intervalo de tempo, se possível, a vida deve continuar normalmente, realizando suas atividades diárias de maneira firme, forte e sempre lutando por seus objetivos de vida.

Assim, todos nós que trabalhamos na área de saúde tratamos, amenizamos e incentivamos nossos pacientes para que lutem firmemente para vencer as doenças e as suas complicações.

 

Dra. Sthela Murad Regadas
Presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia

 

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