alexandre_bertoncini_editada

 

Dr. Alexandre Bertoncini
CRM: 129.589 SP

 

 

O câncer colorretal é atualmente a terceira principal causa de câncer no Brasil (excluindo-se os tumores de pele) entre homens e mulheres e sua incidência e mortalidade vem aumentado ano a ano (tabelas 1 e 2). Esse aumento deve-se de uma maior frequência de algumas doenças que aumentam o risco de câncer colorretal e a hábitos de vida, principalmente da sociedade ocidental como a nossa. Existem causas consideradas passivas de prevenção e aquelas que não dependem da vontade do paciente como o sexo, as doenças adquiridas e a herança genética familiar.

O sexo per se é um fator de risco já que as mulheres apresentam incidência de cânceres do cólon  e do reto maior que os homens conforme já demonstrado na tabela 02. Por isso em muitos lugares do mundo as estratégias de prevenção são direcionadas às mulheres mais precocemente, como por exemplo, iniciar o programa de rastreamento aos 40 anos de idade em quanto nos homens o recomendado é iniciar aos 50 anos, desde que não existam fatores de riscos maiores pessoais e familiares e sem sintomas específicos.

Entre as causas não evitáveis que aumentam o risco do câncer colorretal temos principalmente as doenças inflamatórias intestinais (Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa) que por causarem uma inflamação crônica no intestino podem levar a mutações locais que por sua vez favorecem o aparecimento do câncer de cólon e reto, principalmente após 10 anos do início dessas doenças. Há ainda algumas síndromes genéticas como a Polipose Adenomatosa Familiar (PAF), o Câncer Colorretal Hereditário Não Relacionado a Poliposes (HNPCC ou Síndrome de Lynch) e a Síndrome de Peutz-Jeghers. Em relação a essas pouco há o que se fazer a não ser permanecer em vigilância, orientado sempre por um cirurgião coloproctologista. É importante ressaltar que a família inteira precisa ser acompanhada e não apenas o paciente portador da síndrome genética.

Uma boa notícia é que a maioria dos cânceres colorretais não tem relação com as síndromes genéticas já que essa correspondem a apenas cerca de 20% dos casos de câncer colorretal. Assim, muito pode ser feito para se diminuir o risco dessas doenças!

Entre os fatores que podem ser prevenidos temos mais uma vez o vilão comumente relacionado a diversas doenças malignas: o tabagismo. Com o câncer colorretal não é diferente, e o cigarro é um importante fator de risco evitável. Portanto, mais um motivo para se esforçar e parar de fumar! Lembre-se que há hoje diversas estratégias que podem lhe ajudar a parar de fumar como medicações, adesivos cutâneos, gomas de mascar e até simulacros de cigarros digitais. Não deixe de pedir orientações ao seu médico a respeito de estratégias para cessar o tabagismo.

A obesidade também é um importante fator de risco e um dos principais responsáveis pelo aumento da incidência do câncer colorretal que temos observado nos últimos anos. A população do Brasil, assim como do mundo, tem se tornado mais obesa a cada ano. Estamos vivendo literalmente uma epidemia de obesidade no mundo e a prática de atividades físicas, além dos benefícios cardiovasculares já comprovados, é um importante aliada na estratégia de redução de risco do câncer colorretal.

Alguns hábitos alimentares também aumentam esse risco. O consumo de carnes vermelhas, gorduras de origem animal e a ingesta de álcool são fatores também importantes. Assim sendo, invista em hábitos alimentares saudáveis como ingerir fibras (legumes e verduras cruas, frutas e cereais) e micronutrientes (vitaminas A, C, D, E, cálcio, selênio – também presentes em fontes de fibras) diariamente, além de reduzir a quantidade de álcool ingerida. Uma consulta com um nutricionista pode ajudar a esclarecer quais alimentos podem ser otimizados em sua dieta a fim de aumentar suas defesas contra esse mal.

 

tabela_01Tabela 1:  Taxa de mortalidade por ano, ajustada para 100.000 habitantes/sexo (fonte Datasus).

 

tabela_02
Tabela 2: Incidência por 100.000 habitantes/sexo (fonte Ministério da Saúde/INCA).

PARTICIPE DO FÓRUM