Seu intestino mudou?

Pesquisa revela que brasileiro não conhece as Doenças Inflamatórias Intestinais e, na presença de alguns de seus sintomas (como dor abdominal e sangue nas fezes) a maioria prefere se automedicar ou “espera passar”

– Na Europa, outra pesquisa indica que essas doenças cresceram até 15 vezes nas últimas cinco décadas, que 44% dos seus pacientes se afastam do trabalho em decorrência da doença e perdem pelo menos quatro semanas de trabalho por ano
– Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa são as duas doenças inflamatórias intestinais

Diarreia contínua, às vezes com sangue nas fezes, dor abdominal, quando associados a cansaço e perda de peso podem ser sinais de uma doença inflamatória intestinal (DII), como doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa – doenças, que nos casos mais graves, podem levar à incapacitação física e à necessidade de cirurgia no intestino e reto, mas são praticamente desconhecidas da maioria dos brasileiros.

Pesquisa realizada em seis capitais brasileiras* durante o último mês de março, revela como os brasileiros se comportam frente a um ou alguns sintomas das DII– no caso de dor abdominal, 46% preferem se automedicar; na diarreia frequente, 61% se automedicam ou tomam remédios caseiros, e mesmo quando há sangue nas fezes, 39% prefere “esperar passar”.

Para alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce das Doenças Inflamatórias Intestinais, o GEDIIB – Grupo de Estudos das Doenças Inflamatórias Intestinais do Brasil, responsável pelo desenvolvimento de estudos, pesquisas e consensos sobre estas doenças, e a Federação Brasileira de Gastrenterologia, que reúne 64 especialidades médicas em todo o país, lançam em todo o Brasil a campanha pública Seu Intestino Mudou? que inclui distribuição de cartilhas e materiais informativos sobre as doenças, veiculação de spot de rádio, além de seminários para atualização médica.

“Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite trazem importantes consequências físicas e emocionais, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos doentes. Podem ser controladas se diagnosticadas precocemente e tratadas de forma adequada,evitando-se possíveis cirurgias, afirma Doutor Sender Miszputen, Professor-adjunto e chefe da disciplina de Gastrenterologia da Escola Paulista de Medicina e presidente do GEDIIB.

A campanha associa a DII a um quebra-cabeça de sintomas – juntando as peças, tem-se o diagnóstico correto.

Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa – As Doenças Inflamatórias Intestinais formam um grupo de doenças inflamatórias crônicas, ainda de causa desconhecida, envolvendo o aparelho digestivo. São dois grupos principais, Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn. Apesar da origem desconhecida, sabe-se que pode haver predisposição genética e que o meio ambiente exerce papel importante. Pesquisa ECCO-EpiCom Study realizada pela Organização Europeia de Doença de Chron e de Retocolite Ulcerativa (ECCO) e pela Associação das Federações de Chron e Retocolite Ulcerativa (EFCCA) e divulgada em fevereiro de 2013 revela que as Doenças Inflamatórias Intestinais cresceram 15 vezes nas últimas décadas nos grandes centros urbanos.

As doenças inflamatórias intestinais afetam homens e mulheres indistintamente e o diagnóstico acontece geralmente por volta dos 30 anos de idade. Segundo a pesquisa europeia, 10 anos após o diagnóstico, 53% dos pacientes serão hospitalizados e 44% serão afastados de seu trabalho em decorrência da doença. Ainda de acordo com a EFCCA, de 20% a 25% das pessoas com uma DII apresentam os sintomas de forma contínua e, mesmo com o acompanhamento médico, de 30% a 40% dos pacientes apresentam algum tipo de complicação entre 10 a 15 anos depois do diagnóstico. Em cerca de 40% dos pacientes, além dos problemas intestinais, as DII podem afetar os olhos, a pele e as articulações.

A Doença de Crohn envolve o intestino fino (íleo) em 30% dos pacientes e a região ileocecal em 40% dos casos, enquanto a retocolite ulcerativa restringe-se ao cólon e quando a doença está ativa (em crise), a mucosa intestinal torna-se maciçamente infiltrada por células inflamatórias e é afetada por microúlceras.

Diagnostico e Tratamento – O diagnóstico é feito com base no histórico clinico dos pacientes, exames de sangue e de imagem. O tratamento inclui alteração de hábitos (como parar de fumar e adoção de dieta saudável) e medicamentos para controle da doença.

Os interessados podem buscar o profissional de saúde, ou serviço público especializado mais próximo de sua região, no site do GEDIIB (www.gediib.org.br), ou www.seuintestinomudou.com.br

Sobre a pesquisa com população brasileira A pesquisa foi realizada pela TNS e seus dados são válidos até outubro de 2013. *A pesquisa brasileira foi realizada pela TNS Brasil, com abrangência de seis capitais brasileiras (Belém, Brasília, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), na área urbana, com o seguinte Perfil Amostra total:

– Homens e Mulheres
+ 18 anos
– Das classes sociais ABCD/E
– Entrevistas pessoais domiciliares / Pontos de fluxo
– Tempo estimado de cada entrevista: até 20 minutos
– Data de coleta dos dados: 05 a 26/03/2013
– Pesquisa valida até outubro de 2013.

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